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China, Rússia e a crise entre poderes no Brasil: a geopolítica não perdoa ingenuidade

Há muito tempo se sabe que análise política séria se faz com fatos, não com narrativas de Twitter ou editoriais da imprensa esquerdista. O artigo de Paulo Henrique Araújo, de setembro de 2021, ainda serve de alerta porque o jogo não mudou de essência: o Brasil continua sendo peça estratégica demais para ser tratado como periferia inocente.

China, Rússia e a crise entre poderes no Brasil: a geopolítica não perdoa ingenuidade
China, Rússia e a crise entre poderes no Brasil: a geopolítica não perdoa ingenuidade (Foto: Reprodução)

O BRICS não é “parceria multipolar” inocente. É herança direta do Foro de São Paulo, alinhamento ideológico de regimes autoritários e esquerdas latino-americanas. O Brasil tem peso desproporcional dentro do bloco. O que acontece aqui repercute em Pequim e Moscou. Em 9 de setembro de 2021, Bolsonaro, Putin e Xi se reuniram. Enquanto isso, o presidente brasileiro ficava isolado após a saída de Trump e Netanyahu, o enfraquecimento de Boris Johnson e a demissão de Ernesto Araújo do Itamaraty. Do outro lado, Biden provava — e continua provando — que não é aliado confiável de ninguém que defenda soberania nacional.
China e Rússia fortaleceram a aliança além do nível da Guerra Fria, segundo o próprio Sergey Lavrov. Desde a saída de Trump, Pequim partiu para a reconquista do terreno perdido no 5G. Nos Estados Unidos contratou Tony Podesta, irmão do operator do “Partido das Sombras”. No Brasil, o escolhido foi Michel Temer. Coincidência? Depois da reunião do BRICS, Temer aparece como mediador da crise institucional entre Executivo e STF. O embaixador chinês, que normalmente se intromete na política interna brasileira, fica em silêncio sepulcral. Quem conhece o método chinês sabe: quando o dragão cala, está negociando.
O PT e satélites torciam o nariz para qualquer acomodação entre poderes. Por quê? Porque a China havia abandonado Ciro Gomes e o PDT. O interesse de Lula e companhia em ocupar o espaço de interlocutor preferencial de Pequim não é teoria da conspiração: é realismo geopolítico. O Brasil é fornecedor estratégico de commodities. Uma crise institucional profunda atrapalha os planos de quem quer garantir soja, minério e influência tecnológica sem confrontar abertamente o governo da época.
Não se trata de afirmar que o governo brasileiro “se vendeu”. Trata-se de reconhecer que China e Rússia não têm interesse em um colapso brasileiro neste momento. Preferem estabilidade sob termos que os favoreçam. Quem ignora isso e reduz tudo a “luta polarizada interna” comete o erro bruto de achar que geopolítica é linear.
A lição permanece válida: soberania não se defende com discursos bonitos nem com “acordos de convivência” que entregam 5G, portos e infraestrutura crítica. Entregar tecnologia estratégica a um partido comunista que pratica genocídio cultural, censura total e vigilância em massa é suicídio. Aproximar-se da Índia, diversificar mercados e manter distância prudente de Pequim e de qualquer “parceiro” que use o BRICS como ferramenta de pressão não é xenofobia: é sobrevivência.
A geopolítica não é linear. Quem insiste em olhar só para Brasília enquanto Pequim e Moscou movem as peças está jogando xadrez sem ver o tabuleiro. E o tabuleiro nunca perdoou os distraídos.

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